quando eu for mais bonito
quando eu for mais rico
quando eu for mais velho
quando eu for mais homem
quando eu tiver mais sucesso
quando eu souber mais quem eu sou
quando eu fizer mais natação
quando eu for mais fit
quando eu for mais forte
quando eu comer melhor
quando eu transar melhor
quando eu tiver minha própria casa
quando eu for o vincent gallo
quando eu fizer mais filmes
quando eu tocar mais violão
quando eu tocar mais que violão
quando eu tocar piano
quando eu for mais independente
quando eu for mais interessante
quando eu for mais motorista fodão
quando meus olhos forem mais azuis
quando eu tiver mais guelras e mais micro-chips
quando eu tiver inserido mais objetos no cu
quando eu beijar melhor
quando eu for mais limpo
quando eu for mais inteligente
quando eu for menos peludinho
quando eu tiver um esconderijo irado
quando eu tiver um apê patrão
quando eu tiver um loft em NY, e um barco no Hudson
quando eu cozinhar melhor
quando eu souber mais músicas de cor
quando eu tiver mais discos, e um toca-disco
quando eu for mais descolado, mais na moda
quando eu tiver visitado mais países
quando eu souber mais nomes de artistas contemporâneos
quando eu for mais bom de papo
quando eu tiver um cavalo leal
quando meu pau for melhor e mais saboroso
quando eu tiver mais cortes na mão esquerda
quando eu for mais junkie
quando eu for mais cool
quando eu for mais queer
quando eu tiver mais aproach
quando eu tiver mais social skills
quando eu parar de mimimi
quando eu tiver mais timing
apenas
então a terra deslizando sobre o corpo
apesar do deslizamento da terra
portanto sempre soterrado
pois não
tenho medo
do toque da terra
apenas
então a terra
deslizando sobre o corpo
apesar do deslizamento
da terra
portanto
sempre soterrado
pois não
tenho medo
do toque
da terra
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
domingo, 1 de janeiro de 2017
réveillon
eu tenho todos os sentidos
necessários
pra duvidar do que você diz
mas a gravidade
obriga por os pés no chão
necessários
pra duvidar do que você diz
mas a gravidade
obriga por os pés no chão
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
por exemplo, hoje
todo dia fazer alguma coisa
tem que achar alguma coisa pra fazer
todo dia
se ocupar
ocupa tudo, dizem
tem que se ocupar
dia após dia
achar o que fazer
acordar e comer e cagar
fazer atividades
um exercício
pro corpo e pra cabeça também
correr no parque
ou natação
ou um esporte
ou academia, que é mais prático, mas nem sempre tão prazeroso quanto algo ao ar livre, dizem
se ocupar
todo dia
acordar
levantar com o pé direito
tomar um café
um bom café
fazer um trabalho
um bom trabalho
quer dizer, ser útil
todo mundo é útil quando trabalha todo dia
e daí o dia todo o mundo todo é útil
o bom é quando a gente consegue trabalhar com o que ama
juntar o útil ao agradável
é o que todo mundo quer
mas nem todo mundo pode
porque tem trabalhos desagradáveis que devem ser feitos
todo dia
por alguém
tem que colocar comida na mesa
o pão nosso de cada dia
comer todo dia
comer é útil e importante
comer qualquer coisa é importante
comer bem é qualidade de vida
comida orgânica ou de origens conhecidas e saudáveis
tomar cuidado com a qualidade do que se come
fazer sua própria comida é ainda melhor, dizem
fazer alguma coisa
quer dizer, mesmo que seja só pra si
mesmo que seja só
acordar, comer, cagar
cagar o que comeu
comer o que cagar é inútil
assim como colocar o que acabou de comer pra fora pela boca
ou colocar o que se vai comer pra dentro pelo cu
isso não se faz
é importante ser útil
se ocupar
fazer um trabalho
todo dia
até o sol se por
e daí tem que se ocupar de noite
a noite também é útil
pode ser trabalhando também
ou passando um tempo com a família, que é importante
quality time, dizem
os serviços do lar, a vida doméstica
fazer alguma coisa com os filhos
com os pais, com os bichinhos, com os avós dementes
vê-los fazendo suas coisas
todo dia fazer alguma coisa
vamos fazer alguma coisa todos os dias
um dia não é um dia quando não se faz alguma coisa
quer dizer, o que é um dia quando não se faz alguma coisa útil?
alguma atividade, algum esporte, algum exercício, algum trabalho?
o que fazer?
todo dia tem que fazer alguma coisa, qualquer coisa
Acordar, comer, cagar, já serve
Sirva pra alguma coisa
Faça alguma coisa
Por exemplo, hoje
tem que achar alguma coisa pra fazer
todo dia
se ocupar
ocupa tudo, dizem
tem que se ocupar
dia após dia
achar o que fazer
acordar e comer e cagar
fazer atividades
um exercício
pro corpo e pra cabeça também
correr no parque
ou natação
ou um esporte
ou academia, que é mais prático, mas nem sempre tão prazeroso quanto algo ao ar livre, dizem
se ocupar
todo dia
acordar
levantar com o pé direito
tomar um café
um bom café
fazer um trabalho
um bom trabalho
quer dizer, ser útil
todo mundo é útil quando trabalha todo dia
e daí o dia todo o mundo todo é útil
o bom é quando a gente consegue trabalhar com o que ama
juntar o útil ao agradável
é o que todo mundo quer
mas nem todo mundo pode
porque tem trabalhos desagradáveis que devem ser feitos
todo dia
por alguém
tem que colocar comida na mesa
o pão nosso de cada dia
comer todo dia
comer é útil e importante
comer qualquer coisa é importante
comer bem é qualidade de vida
comida orgânica ou de origens conhecidas e saudáveis
tomar cuidado com a qualidade do que se come
fazer sua própria comida é ainda melhor, dizem
fazer alguma coisa
quer dizer, mesmo que seja só pra si
mesmo que seja só
acordar, comer, cagar
cagar o que comeu
comer o que cagar é inútil
assim como colocar o que acabou de comer pra fora pela boca
ou colocar o que se vai comer pra dentro pelo cu
isso não se faz
é importante ser útil
se ocupar
fazer um trabalho
todo dia
até o sol se por
e daí tem que se ocupar de noite
a noite também é útil
pode ser trabalhando também
ou passando um tempo com a família, que é importante
quality time, dizem
os serviços do lar, a vida doméstica
fazer alguma coisa com os filhos
com os pais, com os bichinhos, com os avós dementes
vê-los fazendo suas coisas
todo dia fazer alguma coisa
vamos fazer alguma coisa todos os dias
um dia não é um dia quando não se faz alguma coisa
quer dizer, o que é um dia quando não se faz alguma coisa útil?
alguma atividade, algum esporte, algum exercício, algum trabalho?
o que fazer?
todo dia tem que fazer alguma coisa, qualquer coisa
Acordar, comer, cagar, já serve
Sirva pra alguma coisa
Faça alguma coisa
Por exemplo, hoje
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
de cá
me perdoa
se é pra doer, doa
se é pra correr, dia
me perdoa
floresta curvilínea
tão linda tão linda
me perdoa
pela cera, pela cena, pelo choro
pela vela, pela coca, pelo drama
me perdoa
e se derrama brâmane
se for branco ou se der freixo
me perdoa
como no carro tremendamente nu
calor testa no peito
me perdoa
pelo corpo, pelo espasmo, pelo esperma
pela vastidão de planos pêlos e pernas
me perdoa
a falsa largada de bicicleta
o dirigir bêbado à beira mar
me perdoa
é tão simples dizer te amo
tão simplificado dizer te amo
me perdoa
de paris ou de lisboa
te ver me faz feliz
se é pra doer, doa
se é pra correr, dia
me perdoa
floresta curvilínea
tão linda tão linda
me perdoa
pela cera, pela cena, pelo choro
pela vela, pela coca, pelo drama
me perdoa
e se derrama brâmane
se for branco ou se der freixo
me perdoa
como no carro tremendamente nu
calor testa no peito
me perdoa
pelo corpo, pelo espasmo, pelo esperma
pela vastidão de planos pêlos e pernas
me perdoa
a falsa largada de bicicleta
o dirigir bêbado à beira mar
me perdoa
é tão simples dizer te amo
tão simplificado dizer te amo
me perdoa
de paris ou de lisboa
te ver me faz feliz
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
ar tarde e triste
pequeno respirar de coisa miúda
pulso rabiscado
não se sentir ridículo
já é gigante
ver foto por foto por foto
atrás não sei de quê
quê graça ou sem graça
está entre cada uma delas,
no clique
do mouse
na tela
modigliani
pulso rabiscado
não se sentir ridículo
já é gigante
ver foto por foto por foto
atrás não sei de quê
quê graça ou sem graça
está entre cada uma delas,
no clique
do mouse
na tela
modigliani
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Coragem
chega de textos enormes
chega de cartas, mapas e direções
chega de tarôs e astrologia
somos se fomos poeira de festa
na contraluz
chega de ensaios escuros
chega de longas ou curtas reflexões
chega de mentira e gritaria
ser silêncio imensurável de memória
adeus adeus
chega de cartas, mapas e direções
chega de tarôs e astrologia
somos se fomos poeira de festa
na contraluz
chega de ensaios escuros
chega de longas ou curtas reflexões
chega de mentira e gritaria
ser silêncio imensurável de memória
adeus adeus
sábado, 6 de agosto de 2016
bliblibli
foda-se
quero me eletrificar
na sua cara difícil de entender
eu tô morrendo queimando
aqui
quarto apertado
cadê
alguma coisa
eu perdi
eu não sei mesmo
vou dançar perdido
histérico
esquizóide caralho
apertado mesmo essa porra
dói na testa
quando eu penso
melhor parar de pensar
pra sempre
sei lá
i know your face
it`s all out of place
exterminate
terminate
all rational
tudo
girando
demais
quero me eletrificar
na sua cara difícil de entender
eu tô morrendo queimando
aqui
quarto apertado
cadê
alguma coisa
eu perdi
eu não sei mesmo
vou dançar perdido
histérico
esquizóide caralho
apertado mesmo essa porra
dói na testa
quando eu penso
melhor parar de pensar
pra sempre
sei lá
i know your face
it`s all out of place
exterminate
terminate
all rational
tudo
girando
demais
segunda-feira, 13 de junho de 2016
tá tão tarde que tá cedo
o tempo passa mesmo muito rápido
eu sei que é coisa de velho dizer isso, eu não sou velho - mas talvez esse seja um primeiro indício de algum tipo de velhice, de sinceramente sentir isso - o tempo passa rápido demais
E tantas pessoas ficam pra trás
E isso não é canastrice, nem bobo, nem tão óbvio quanto as vezes parece. Isso não é óbvio. E mesmo se for, as vezes é importante se lembrar do óbvio, não esquecer do óbvio.
enquanto você inconscientemente se afasta de mim operando pra que eu me afaste de você
enquanto subliminarmente você me odeia sem saber - e eu posso conjecturar uma porção de motivos pra isso, mas escrever soaria extremamente arrogante, depois você me pergunta
eu começo a me questionar de tudo que venho fazendo, e de sentir muita falta de emburacar mesmo
e começo a sentir muita falta mesmo de deslizar pelos corpos dos amigos, tendo uma certeza plena de ser completamente amado vitalmente, mineralmente, algo da ordem dos indígenas
e começo a sentir muita falta do horto, das ladeiras com cheiro de jaca, das casas e apartamentos ricos e enormes, e do sexo assustado das tardes, e dos passeios de bicicleta
e começo a sentir muita falta mesmo dos passeios de bicicleta, e de pedalar por toda a orla, de encontrar a galera no posto 9, de se impressionar com tantas novas descobertas possíveis, de namorar na praia, de tomar mate e comer coalho e fumar baseado e tudo mais e não gastar nem cinco reais, de voltar de bike pra tomar um banho só pra sair loguinho pra social na casa de alguém que estava na praia com absolutamente as mesmas pessoas que estavam na praia e mais alguns poucos outros, de ficar sempre com alguém escondido, tinha que ser escondido, e ficar maravilhado comigo mesmo depois,
e não estou falando do passado
porque me veio agora na cabeça que queria muito trabalhar com o vito, e ele me chamou, eu acho, outro dia, e eu não consigo por essas coisas na agenda besta, e eu não consigo administrar a matéria vital que realmente preenche os corpos, o meu corpo, e sinto sinceramente que estou vivendo errado
porque eu queria reencontrar tanta gente, como a diana hoje no café, ou a rafa que me chamou novamente deliciosamente pra mendes e eu não pude ir muito triste, pra bater o maior papo que já se viu na serra do mar
porque eu tenho tantos projetos de filmes e peças e coisas pra escrever, e quero conhecer tanta gente, e viajar com essas pessoas, e libidinosamente emburacar nelas e nas suas vidas
que matéria fina essa...
sut, tô preocupado com você, sabe que pode sempre falar comigo, e que eu vou sempre te escutar, e que meu amor por você está acima de qualquer julgamento de você, sabe? Que já somos cúmplices há muito tempo...
eu queria honestamente olhar mais pras pessoas, ou, pelo menos, saber dizer isso de uma outra maneira pra que soasse menos patético
por favor, venham me encontrar, que no pior dos casos eu vou bater uma foto nossa com a minha câmera, pra eu ter sempre certeza de te achar em algum caderno quando eu tiver preso na insônia, com o tempo desmanchando os cachos dos meus cabelos e meu coraçãozinho de menino
Volta por favor porcaria
eu sei que é coisa de velho dizer isso, eu não sou velho - mas talvez esse seja um primeiro indício de algum tipo de velhice, de sinceramente sentir isso - o tempo passa rápido demais
E tantas pessoas ficam pra trás
E isso não é canastrice, nem bobo, nem tão óbvio quanto as vezes parece. Isso não é óbvio. E mesmo se for, as vezes é importante se lembrar do óbvio, não esquecer do óbvio.
enquanto você inconscientemente se afasta de mim operando pra que eu me afaste de você
enquanto subliminarmente você me odeia sem saber - e eu posso conjecturar uma porção de motivos pra isso, mas escrever soaria extremamente arrogante, depois você me pergunta
eu começo a me questionar de tudo que venho fazendo, e de sentir muita falta de emburacar mesmo
e começo a sentir muita falta mesmo de deslizar pelos corpos dos amigos, tendo uma certeza plena de ser completamente amado vitalmente, mineralmente, algo da ordem dos indígenas
e começo a sentir muita falta do horto, das ladeiras com cheiro de jaca, das casas e apartamentos ricos e enormes, e do sexo assustado das tardes, e dos passeios de bicicleta
e começo a sentir muita falta mesmo dos passeios de bicicleta, e de pedalar por toda a orla, de encontrar a galera no posto 9, de se impressionar com tantas novas descobertas possíveis, de namorar na praia, de tomar mate e comer coalho e fumar baseado e tudo mais e não gastar nem cinco reais, de voltar de bike pra tomar um banho só pra sair loguinho pra social na casa de alguém que estava na praia com absolutamente as mesmas pessoas que estavam na praia e mais alguns poucos outros, de ficar sempre com alguém escondido, tinha que ser escondido, e ficar maravilhado comigo mesmo depois,
e não estou falando do passado
porque me veio agora na cabeça que queria muito trabalhar com o vito, e ele me chamou, eu acho, outro dia, e eu não consigo por essas coisas na agenda besta, e eu não consigo administrar a matéria vital que realmente preenche os corpos, o meu corpo, e sinto sinceramente que estou vivendo errado
porque eu queria reencontrar tanta gente, como a diana hoje no café, ou a rafa que me chamou novamente deliciosamente pra mendes e eu não pude ir muito triste, pra bater o maior papo que já se viu na serra do mar
porque eu tenho tantos projetos de filmes e peças e coisas pra escrever, e quero conhecer tanta gente, e viajar com essas pessoas, e libidinosamente emburacar nelas e nas suas vidas
que matéria fina essa...
sut, tô preocupado com você, sabe que pode sempre falar comigo, e que eu vou sempre te escutar, e que meu amor por você está acima de qualquer julgamento de você, sabe? Que já somos cúmplices há muito tempo...
eu queria honestamente olhar mais pras pessoas, ou, pelo menos, saber dizer isso de uma outra maneira pra que soasse menos patético
por favor, venham me encontrar, que no pior dos casos eu vou bater uma foto nossa com a minha câmera, pra eu ter sempre certeza de te achar em algum caderno quando eu tiver preso na insônia, com o tempo desmanchando os cachos dos meus cabelos e meu coraçãozinho de menino
Volta por favor porcaria
segunda-feira, 23 de maio de 2016
amor retrô
amigos, é isso, tá decidido
cansado, assaltado, de coração partido
vou embora sem ninguém comigo
o mundo não tá pronto pra esse amor tão grande
enfim,
aqui o mundo é sereno
nada pop, nada cool,
amor retrô
que vaga conforme a lua
amor maré
amigos, é isso, refiz as malas
só livros, camisas, submarinos
a baleia desafinada pelos zumbidos
o oceano abissal dos nossos corpos indecisos
em vão,
aqui o mundo é sereno
nada led, nada pixel,
amor retrô
que vaga conforme a lua
amor maré
recua
recua
recua
recua
cansado, assaltado, de coração partido
vou embora sem ninguém comigo
o mundo não tá pronto pra esse amor tão grande
enfim,
aqui o mundo é sereno
nada pop, nada cool,
amor retrô
que vaga conforme a lua
amor maré
amigos, é isso, refiz as malas
só livros, camisas, submarinos
a baleia desafinada pelos zumbidos
o oceano abissal dos nossos corpos indecisos
em vão,
aqui o mundo é sereno
nada led, nada pixel,
amor retrô
que vaga conforme a lua
amor maré
recua
recua
recua
recua
sábado, 14 de maio de 2016
quando todos acidentes acontecem
toda precaução é uma espécie de ódio.
toda precaução é contraditória.
toda precaução é narcisista.
você não sabe o que vai acontecer quando você cair do telhado
parece que a gravidade acaba
você desconhece o mundo depois dessa partida
suspeita-se que as pessoas sobrevivem
você ainda não viu seu próximo filho
vai que é a sua cara?
toda precaução é mercadológica.
toda precaução é recalcada.
toda precaução é paranóica.
quando conseguirmos olhar pras mãos e pros pés e não ver palmas e dedos mas minúsculos poros e linhas e pêlos e aporia colidindo com a poeira do ar,
então seremos os
próximos
toda precaução é contraditória.
toda precaução é narcisista.
você não sabe o que vai acontecer quando você cair do telhado
parece que a gravidade acaba
você desconhece o mundo depois dessa partida
suspeita-se que as pessoas sobrevivem
você ainda não viu seu próximo filho
vai que é a sua cara?
toda precaução é mercadológica.
toda precaução é recalcada.
toda precaução é paranóica.
quando conseguirmos olhar pras mãos e pros pés e não ver palmas e dedos mas minúsculos poros e linhas e pêlos e aporia colidindo com a poeira do ar,
então seremos os
próximos
quarta-feira, 13 de abril de 2016
boi tolo
Na cidade onde eu moro
mora também esse monstro
que chamam boi
mas pra mim tá mais pra polvo
que esmaga todo seu trajeto tolo
na tontura sinfônica dos seus tentáculos
Nessa cidade onde eu moro
se escuta todo ano
seu mugido violento, bruto monstro proibido
sempre desde sempre
desprendido
agarrando os bares e os tontos
fagocitose suada da síncope das suas tetas
vaca profana sem cornos ou caretas
avança através de qualquer parede
Nesse transe esquizofrênico de fritados colados por purpurina
Nessa terra em ebulição bovina
todos se tornam também esse dragão
não rebanho, mas matilha
não cardume, constelação
e eu no meio desse monstro sem centro
no centro da cidade sem meio
no risco absoluto desse chão
que retorna a terra, sem ser terreno
território sem não
olhei pra todos os lados apenas pra te procurar
no grosso, um
mesmo
que você
não sai da minha cabeça
e o desejo psicopata
de amar com cada parte
cada pata
cada presa
cada garra
batucada desprovida de marcação
coração atravessando o marcapasso
passo sem direção
repete na minha pele
- você toda doce suada só seguindo em frente
não sai da minha cabeça
mora também esse monstro
que chamam boi
mas pra mim tá mais pra polvo
que esmaga todo seu trajeto tolo
na tontura sinfônica dos seus tentáculos
Nessa cidade onde eu moro
se escuta todo ano
seu mugido violento, bruto monstro proibido
sempre desde sempre
desprendido
agarrando os bares e os tontos
fagocitose suada da síncope das suas tetas
vaca profana sem cornos ou caretas
avança através de qualquer parede
Nesse transe esquizofrênico de fritados colados por purpurina
Nessa terra em ebulição bovina
todos se tornam também esse dragão
não rebanho, mas matilha
não cardume, constelação
e eu no meio desse monstro sem centro
no centro da cidade sem meio
no risco absoluto desse chão
que retorna a terra, sem ser terreno
território sem não
olhei pra todos os lados apenas pra te procurar
no grosso, um
mesmo
que você
não sai da minha cabeça
e o desejo psicopata
de amar com cada parte
cada pata
cada presa
cada garra
batucada desprovida de marcação
coração atravessando o marcapasso
passo sem direção
repete na minha pele
- você toda doce suada só seguindo em frente
não sai da minha cabeça
quinta-feira, 3 de março de 2016
imagina em Cuba
Não
sei
se você já reparou
mas eu solto pêlo quando durmo
muito pêlo
e você solta muito cabelo
daí
aqui
em SP, achei
um cabelo seu na minha roupa
pena
que foi
só um só
só
cabelo, não
você
sei
se você já reparou
mas eu solto pêlo quando durmo
muito pêlo
e você solta muito cabelo
daí
aqui
em SP, achei
um cabelo seu na minha roupa
pena
que foi
só um só
só
cabelo, não
você
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
restante amor
resta eu te escrever, meu amor
resta eu te dizer o quanto eu te amei
e amo
aquele amor
que quer socar sua cara
e te tirar da foto
resta te afogar
no jardim do MAM
e dizer que a alegria do palhaço
é ver o circo pegar fogo
aquele amor
de subir em poste
que quer tomar porrada da polícia se for preciso
resta eu te escrever qualquer porra
amor
qualquer porra minha
que escorra pelo céu escuro
que rasgue seu rosto
que seja beijo e pau duro
e que você finalmente morra
resta dizer que a felicidade é tanta
que o amor transborda tanto
resta transbordar todos os buracos
todas as lajes e espaços
todos os cantos de toda a cidade
todo o carnaval das carnes e dos bares
e das purpurinas douradas
resta te matar
e me matar
e acordar
pra nunca mais
resta
resta eu te dizer o quanto eu te amei
e amo
aquele amor
que quer socar sua cara
e te tirar da foto
resta te afogar
no jardim do MAM
e dizer que a alegria do palhaço
é ver o circo pegar fogo
aquele amor
de subir em poste
que quer tomar porrada da polícia se for preciso
resta eu te escrever qualquer porra
amor
qualquer porra minha
que escorra pelo céu escuro
que rasgue seu rosto
que seja beijo e pau duro
e que você finalmente morra
resta dizer que a felicidade é tanta
que o amor transborda tanto
resta transbordar todos os buracos
todas as lajes e espaços
todos os cantos de toda a cidade
todo o carnaval das carnes e dos bares
e das purpurinas douradas
resta te matar
e me matar
e acordar
pra nunca mais
resta
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
presságios na zona sul
E sem decidir como escrever minha história
está muito difícil escrever
olho amigos tampouco eles estão melhores também como folhas novas secas pisadas craquelando
Sinto presságios
Nos desejos recalcados seculares telúricos reboando nos subsolos da cidade e prontos para ejacular lava dos orifícios encanamentos proibidos
Nos talheres de prata quebrados familiares tradicionais tilintando pelos corredores do castelo nas escadarias das universidades nos fortes históricos nas masmorras dos olhos dos pais
Nos socos violentos voadores que velejam os ventos de inveja e luxúria pelas bordas das asas das borboletas - como já disseram
Nos fundos das festas sufocados de gemidos agudos agulhas genitálias babando fundo nos corpos dançantes
Na saudade & tortura & gozo das fotografias analógicas; pra que serve minha carteira de motorista, meus óculos novos, os prêmios universitários, o número da previdência social, os cálculos das tarifas bancárias, as copas de escritórios com coleta seletiva e campanha de agasalho e adoção de animais fofinhos...?
Nas prateleiras mesas computadores almoxarifados terabytes ambulantes desesperados repletos cobertos de foster wallace, miguel gomes, marcio abreu, ginsberg, burroughs, borges, godard
Nos prédios de manhanttan, seus mapas de metrô esgoto linhas de ônibus ataques terroristas como cartografias móveis avançando pelas sinapses da mente gerando trovoadas que decepam os nomes de personagens de fotos de turma, excrementos em forma de novos endereços, cartas de amor talvez
Nas batalhas virtuais perdidas são sempre perdidas e o sôfrego sofrer repetitivo sobre a enorme vontade de ser dos seres
No religioso risco dos esportes radicais, no sagrado voar das aves e das nuvens (especialmente sobre os morros verdes da zona sul), nas trágicas ceias de natal repletas de peru e vinho e família, na bíblica inflação dos aluguéis, nos proféticos livros de deleuze & guattari e críticas aos livros de deleuze & guattari, no helênico ciclo-ativismo, no lindo traço dos lápis 2B S2, na heróica editora cobogó, queria listar mais
Nos olhos cinza-sinceros semi-sorrindo dos amigos perdidos morando mal, sentem sede na boca e no rabo, fugidos, imigrantes tristes empilhando empilhados passos de jabuti na europa dos corações sangrantes e nas trocas de namorados, me sinto trocado, eu sei os segredos, quem me dera não errar dessa vez
Nos distúrbios mentais dos seus olhos cinzas & cabelos lindos em praças do rio som de coco & maracatu prédios prédios prédios adeus soçobrados sobrados adeus ninguém aguenta olhar pra cima tanto tempo tudo sobe, os preços e os prédios
Nas lentes lindas da minha câmera analógica vejo meu avô e meus amigos nus como índios, greve dos garis e chorume concentrado de um milhão de reveillons pentecostes copacabana
Nas selvas dos miolos dos pentelhos dos estudos dos cabelos dos sistemas de pensamento do apichatpong das músicas do frusciante dos desejos complicados complicadíssimos
Na música eletrônica ~~~~~~~~~~
No seu beijo e baba e bunda e fundo e tudo que não cabe no seu quarto armário apertados bichos de pelúcia patrulhando a seborréia que escorre interminável do seu orgasmo galático derretendo nossa cama de cacos de vidro sobre os azulejos hidráulicos históricos do piso que seus pais escolheram, somos putaria jurássica
está muito difícil escrever
olho amigos tampouco eles estão melhores também como folhas novas secas pisadas craquelando
Sinto presságios
Nos desejos recalcados seculares telúricos reboando nos subsolos da cidade e prontos para ejacular lava dos orifícios encanamentos proibidos
Nos talheres de prata quebrados familiares tradicionais tilintando pelos corredores do castelo nas escadarias das universidades nos fortes históricos nas masmorras dos olhos dos pais
Nos socos violentos voadores que velejam os ventos de inveja e luxúria pelas bordas das asas das borboletas - como já disseram
Nos fundos das festas sufocados de gemidos agudos agulhas genitálias babando fundo nos corpos dançantes
Na saudade & tortura & gozo das fotografias analógicas; pra que serve minha carteira de motorista, meus óculos novos, os prêmios universitários, o número da previdência social, os cálculos das tarifas bancárias, as copas de escritórios com coleta seletiva e campanha de agasalho e adoção de animais fofinhos...?
Nas prateleiras mesas computadores almoxarifados terabytes ambulantes desesperados repletos cobertos de foster wallace, miguel gomes, marcio abreu, ginsberg, burroughs, borges, godard
Nos prédios de manhanttan, seus mapas de metrô esgoto linhas de ônibus ataques terroristas como cartografias móveis avançando pelas sinapses da mente gerando trovoadas que decepam os nomes de personagens de fotos de turma, excrementos em forma de novos endereços, cartas de amor talvez
Nas batalhas virtuais perdidas são sempre perdidas e o sôfrego sofrer repetitivo sobre a enorme vontade de ser dos seres
No religioso risco dos esportes radicais, no sagrado voar das aves e das nuvens (especialmente sobre os morros verdes da zona sul), nas trágicas ceias de natal repletas de peru e vinho e família, na bíblica inflação dos aluguéis, nos proféticos livros de deleuze & guattari e críticas aos livros de deleuze & guattari, no helênico ciclo-ativismo, no lindo traço dos lápis 2B S2, na heróica editora cobogó, queria listar mais
Nos olhos cinza-sinceros semi-sorrindo dos amigos perdidos morando mal, sentem sede na boca e no rabo, fugidos, imigrantes tristes empilhando empilhados passos de jabuti na europa dos corações sangrantes e nas trocas de namorados, me sinto trocado, eu sei os segredos, quem me dera não errar dessa vez
Nos distúrbios mentais dos seus olhos cinzas & cabelos lindos em praças do rio som de coco & maracatu prédios prédios prédios adeus soçobrados sobrados adeus ninguém aguenta olhar pra cima tanto tempo tudo sobe, os preços e os prédios
Nas lentes lindas da minha câmera analógica vejo meu avô e meus amigos nus como índios, greve dos garis e chorume concentrado de um milhão de reveillons pentecostes copacabana
Nas selvas dos miolos dos pentelhos dos estudos dos cabelos dos sistemas de pensamento do apichatpong das músicas do frusciante dos desejos complicados complicadíssimos
Na música eletrônica ~~~~~~~~~~
No seu beijo e baba e bunda e fundo e tudo que não cabe no seu quarto armário apertados bichos de pelúcia patrulhando a seborréia que escorre interminável do seu orgasmo galático derretendo nossa cama de cacos de vidro sobre os azulejos hidráulicos históricos do piso que seus pais escolheram, somos putaria jurássica
sábado, 14 de novembro de 2015
vou morrer de tanto chorar
hoje descobri como vou morrer
me veio entre sonho e outro
em limbo de lucidez austral talvez
que vou morrer de tanto chorar
não acidente assassinato doença
nada disso que mata todos os dias
não tortura assédio enchente seca
nada disso que mata todos os dias
não descaso do governo fome tragédia ambiental
nada disso que mata todos os dias
não chacina fascismo facada assalto
nada disso que mata todos os dias
não incêndio tiroteio bomba fogo nos olhos do menor
nada disso que mata todos os dias
não ataque terrorista catástrofe tsunami tóxica
nada disso que mata todos os dias
não degola polícia câmera de gás
nada disso que mata todos os dias
não saudade crepúsculo ataque cardíaco
nada disso que mata todos os dias
não câncer corte ânsia sede
nada disso
suicídio olhar ouvir e ir e devir
ser todas suas causas mortis somentes
sozinhos em suicídio se apagando
morrendo de tanto tanto chorar
me veio entre sonho e outro
em limbo de lucidez austral talvez
que vou morrer de tanto chorar
não acidente assassinato doença
nada disso que mata todos os dias
não tortura assédio enchente seca
nada disso que mata todos os dias
não descaso do governo fome tragédia ambiental
nada disso que mata todos os dias
não chacina fascismo facada assalto
nada disso que mata todos os dias
não incêndio tiroteio bomba fogo nos olhos do menor
nada disso que mata todos os dias
não ataque terrorista catástrofe tsunami tóxica
nada disso que mata todos os dias
não degola polícia câmera de gás
nada disso que mata todos os dias
não saudade crepúsculo ataque cardíaco
nada disso que mata todos os dias
não câncer corte ânsia sede
nada disso
suicídio olhar ouvir e ir e devir
ser todas suas causas mortis somentes
sozinhos em suicídio se apagando
morrendo de tanto tanto chorar
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
desconfio
desconfio das festas que bombam demais ou por tempo demais ou que todo mundo ama nesse espaço estriado pouco claro que são as redes sociais e que tem mais confirmações do que caberia uma vez que parece que todos os eventos de sexta tem todo mundo confirmado em todos;
desconfio de quando me cumprimentam com muito carinho quando não me conhecem mas como se me conhecessem;
desconfio de pessoas que gritam ou falam muito alto ou não param de falar ou tem muita opinião assertiva sobre tudo numa noite em que só saí pra beber;
desconfio quando passam a mão na minha perna debaixo da mesa pode ter sido um esbarrão quem sabe;
desconfio de garçons que já chegam com a cerveja aberta na mesa ou já abriram antes de perguntar ou que não respondem perguntas direito;
desconfio de mesas muito grandes em que não está claro quem consumiu o quê especialmente quando eu não conheço nem metade das pessoas que estão ali sempre peço por fora ou arredondo pra baixo malandro malandro mané mané;
desconfio de bares point sem qualquer motivo aparente ou que o motivo é aparentemente estúpido;
desconfio da autoria das coisas que as pessoas postam não que eu me importe com autor mas quero saber quem fez mesmo;
desconfio mesmo de qualquer um que fale qualquer coisa sobre qualquer coisa pra mim é difícil falar alguma coisa então desconfio;
desconfio de (certas) risadas também;
desconfio de comerciantes que tem cara de que inventam um preço pra cada pessoa mas acho que isso é geral;
desconfio de caipirinhas de rua mas confesso que sempre tomo e não me arrependo;
desconfio de pessoas que usam "na verdade";
desconfio de gatos mesmo os fofos talvez principalmente os fofos visto que geralmente gatos são fofos;
desconfio (muito) de mauricinhos que estão na mesma roda/mesa/etc que eu;
desconfio de moradores de rua e depois me sinto um merda preconceituoso não vou levar isso adiante e depois desconfio da minha atitude auto-consciente vitimizante passiva olho pra frente ponho a mão no bolso se ele levantar eu corro mas tentar sacar se é realmente um lance violento ou não antes de correr etc eu sou tão menor que essas questões e simultaneamente tão biologicamente envolvido;
desconfio de boa parte dos políticos, empresários, CEOs, presidentes de multinacionais, basicamente todo mundo que aparece vestido de terno em jornais;
desconfio mesmo de quem usa terno;
desconfio de quem acorda muito cedo pro trabalho;
desconfio de trabalho;
desconfio de quem acha que arte é pra se expressar ou pra comunicar;
desconfio mais que tudo de mim mesmo diante de situações em que eu pareço estar respondendo automaticamente a novas perguntas (as perguntas são sempre novas quando refeitas é preciso re-respondê-las) usando de conceitos fixados em grupos de semelhantes incapaz de generosidade para os outros e extremamente desconfiado e arrogante.
desconfio de quando me cumprimentam com muito carinho quando não me conhecem mas como se me conhecessem;
desconfio de pessoas que gritam ou falam muito alto ou não param de falar ou tem muita opinião assertiva sobre tudo numa noite em que só saí pra beber;
desconfio quando passam a mão na minha perna debaixo da mesa pode ter sido um esbarrão quem sabe;
desconfio de garçons que já chegam com a cerveja aberta na mesa ou já abriram antes de perguntar ou que não respondem perguntas direito;
desconfio de mesas muito grandes em que não está claro quem consumiu o quê especialmente quando eu não conheço nem metade das pessoas que estão ali sempre peço por fora ou arredondo pra baixo malandro malandro mané mané;
desconfio de bares point sem qualquer motivo aparente ou que o motivo é aparentemente estúpido;
desconfio da autoria das coisas que as pessoas postam não que eu me importe com autor mas quero saber quem fez mesmo;
desconfio mesmo de qualquer um que fale qualquer coisa sobre qualquer coisa pra mim é difícil falar alguma coisa então desconfio;
desconfio de (certas) risadas também;
desconfio de comerciantes que tem cara de que inventam um preço pra cada pessoa mas acho que isso é geral;
desconfio de caipirinhas de rua mas confesso que sempre tomo e não me arrependo;
desconfio de pessoas que usam "na verdade";
desconfio de gatos mesmo os fofos talvez principalmente os fofos visto que geralmente gatos são fofos;
desconfio (muito) de mauricinhos que estão na mesma roda/mesa/etc que eu;
desconfio de moradores de rua e depois me sinto um merda preconceituoso não vou levar isso adiante e depois desconfio da minha atitude auto-consciente vitimizante passiva olho pra frente ponho a mão no bolso se ele levantar eu corro mas tentar sacar se é realmente um lance violento ou não antes de correr etc eu sou tão menor que essas questões e simultaneamente tão biologicamente envolvido;
desconfio de boa parte dos políticos, empresários, CEOs, presidentes de multinacionais, basicamente todo mundo que aparece vestido de terno em jornais;
desconfio mesmo de quem usa terno;
desconfio de quem acorda muito cedo pro trabalho;
desconfio de trabalho;
desconfio de quem acha que arte é pra se expressar ou pra comunicar;
desconfio mais que tudo de mim mesmo diante de situações em que eu pareço estar respondendo automaticamente a novas perguntas (as perguntas são sempre novas quando refeitas é preciso re-respondê-las) usando de conceitos fixados em grupos de semelhantes incapaz de generosidade para os outros e extremamente desconfiado e arrogante.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Esperando um trem que vai te levar pra sempre
fica quieto um minuto.
cala a boca, na moral.
Esculpindo cada post
Modelando cada bosta
Cada merda, o negativo do intestino
Fica aqui comigo, querido
Olhando minhas costas
Ligando minhas pintas
só um segundo.
para de falar, porra.
Fica aqui comigo, querido
Chupando meu cuspe
Beijando minhas cartas
Olhando minhas costas
Ligando minhas pintas
Fica aqui comigo, querido
Como quem espera o trem pelado na estação
E vamos dançar com a nossa sombra
Até ela cansar
Fica aqui comigo, por favor
Ligando minhas pintas
Constelações das costelas e das costas
Encostando nesta vasta sensação
Como quem espera o trem pelado na estação
E vamos dançar com a nossa sombra
Até ela cansar
Ou até ficar tão nublado
Que ela vai sumir
cala a boca, na moral.
Esculpindo cada post
Modelando cada bosta
Cada merda, o negativo do intestino
Fica aqui comigo, querido
Olhando minhas costas
Ligando minhas pintas
só um segundo.
para de falar, porra.
Fica aqui comigo, querido
Chupando meu cuspe
Beijando minhas cartas
Olhando minhas costas
Ligando minhas pintas
Fica aqui comigo, querido
Como quem espera o trem pelado na estação
E vamos dançar com a nossa sombra
Até ela cansar
Fica aqui comigo, por favor
Ligando minhas pintas
Constelações das costelas e das costas
Encostando nesta vasta sensação
Como quem espera o trem pelado na estação
E vamos dançar com a nossa sombra
Até ela cansar
Ou até ficar tão nublado
Que ela vai sumir
domingo, 25 de janeiro de 2015
ensaios de carnaval
Tudo quer olhar você
E você vira o rosto
sorrindo
Sendo lindo maculelê
bailarina do oposto
sorrindo
E de lá sem te ver
Tudo teima desgosto
sorrindo
Outra volta volver
Seu sorriso é fosco
sorrindo
E você vira o rosto
sorrindo
Sendo lindo maculelê
bailarina do oposto
sorrindo
E de lá sem te ver
Tudo teima desgosto
sorrindo
Outra volta volver
Seu sorriso é fosco
sorrindo
domingo, 28 de setembro de 2014
yet not right there yet
há uma queda infinita depois daquela esquina
e se você não mordesse os lábios antes de mentir
eu teria caído atraído traído marido árido e ferido
acordar é sempre perder o mundo querido
como aquela esquina que esconde um buraco eterno
colado na sua testa não importa o quanto você ainda caia
antes de dormir a gente discute sobre nossas roupas
quando já não estamos enxergando bem de sono
eu já quase dormi e dormindo peço que você saia
acordado quero mil coisas que não alcanço
talvez porque podem ser contrários e autodestrutivos
como o gesto automático de dobrar esquinas
dormido fico repetindo o seu nome escrito num papel no bolso
e você aparece fixa como as fotos como memória
e não faz nada e sem nada fazer é simplesmente tudo
sem metáforas meias palavras sem roupas
nessa esquina você sussurra já bem próxima
você não fala não há som nem voz cor zero
eu sei o que você fala porque seus lábios estão colados nos meus
sussurro da pele como a lesma conversa com a pedra
e eu assinto sem entender nada de nada de nada
e se você não mordesse os lábios antes de mentir
eu teria caído atraído traído marido árido e ferido
acordar é sempre perder o mundo querido
como aquela esquina que esconde um buraco eterno
colado na sua testa não importa o quanto você ainda caia
antes de dormir a gente discute sobre nossas roupas
quando já não estamos enxergando bem de sono
eu já quase dormi e dormindo peço que você saia
acordado quero mil coisas que não alcanço
talvez porque podem ser contrários e autodestrutivos
como o gesto automático de dobrar esquinas
dormido fico repetindo o seu nome escrito num papel no bolso
e você aparece fixa como as fotos como memória
e não faz nada e sem nada fazer é simplesmente tudo
sem metáforas meias palavras sem roupas
nessa esquina você sussurra já bem próxima
você não fala não há som nem voz cor zero
eu sei o que você fala porque seus lábios estão colados nos meus
sussurro da pele como a lesma conversa com a pedra
e eu assinto sem entender nada de nada de nada
quinta-feira, 24 de abril de 2014
admita
admite, você tem um grande medo de ser burro
medo grande, cresce em segredo
(ou quase segredo), esse medo grande, ferro
e você esconde, mas ele permanece
e desfaz seu sono, fazendo birra, berro
burro
admite, você não consegue acordar certo
acordar acorda, levanta desperto
(ou quase desperto), esse sono polposo, seiva
e você levanta, mas ele te amortece
e refaz seu sono, fazendo nina, noite
certo
admite, você parece muito um tatu
monstro tatu, gordo e secreto
(ou quase secreto), essa casca articulada, casa
e você descola, mas ela rola e fecha
e retrai seu corpo, fazendo costa, cu
tatu
admite, vamos, você não presta pra nada
nada presta, aresta modesta
(ou quase modesta), essa vida de trás pra frente
e você gira, retorna, mas o rio te vira
e trai seu senso, fazendo tudo, cada
nada
medo grande, cresce em segredo
(ou quase segredo), esse medo grande, ferro
e você esconde, mas ele permanece
e desfaz seu sono, fazendo birra, berro
burro
admite, você não consegue acordar certo
acordar acorda, levanta desperto
(ou quase desperto), esse sono polposo, seiva
e você levanta, mas ele te amortece
e refaz seu sono, fazendo nina, noite
certo
admite, você parece muito um tatu
monstro tatu, gordo e secreto
(ou quase secreto), essa casca articulada, casa
e você descola, mas ela rola e fecha
e retrai seu corpo, fazendo costa, cu
tatu
admite, vamos, você não presta pra nada
nada presta, aresta modesta
(ou quase modesta), essa vida de trás pra frente
e você gira, retorna, mas o rio te vira
e trai seu senso, fazendo tudo, cada
nada
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