A menina que é vermelha
subiu no alto de uma árvore
com seu pirulito cor-de-rosa
e seu vestido cor-de-telha
É tão doce o mel da abelha
e é tão doce o seu sorrir
que transforma em poesia, prosa
e faz o dia, rubro, ir dormir
Lá no alto, a menina, tão nova
tão vermelha e bonita e libidinosa
lambia lentamente o pirulito
como a chuva lhe lambia o corpo
E o corpo, que caía e gemia
na poça, treme, sorri e jaz morto.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
O Assinalado
Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema,
A terra é sempre tua negra algema,
Prende-te nele a extrema desventura.
Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma desventura extrema
Faz que tu'alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.
Tu és o poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, de pouco a pouco,
Na natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!
O louco da loucura mais suprema,
A terra é sempre tua negra algema,
Prende-te nele a extrema desventura.
Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma desventura extrema
Faz que tu'alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.
Tu és o poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, de pouco a pouco,
Na natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!
Cruz e Souza
domingo, 29 de novembro de 2009
Embriaguez
Foi o Teatro que me tornou bebum.
Foi por causa Dele que eu aprendi a beber,
Ele me aliciou nessa manguaça.
Só mais um gorozinho!
Só mais um!
Agora estou caindo no chão,
Fazendo feio,
Tropeçando nas cordas bambas
Do nosso Circo pobre.
Viveria me equilibrando para não deixar
O mundo cair.
Caiu. Beber, cair e levantar!
Não posso mais sair do Teatro;
Da bebedeira também não.
Foi por causa Dele que eu aprendi a beber,
Ele me aliciou nessa manguaça.
Só mais um gorozinho!
Só mais um!
Agora estou caindo no chão,
Fazendo feio,
Tropeçando nas cordas bambas
Do nosso Circo pobre.
Viveria me equilibrando para não deixar
O mundo cair.
Caiu. Beber, cair e levantar!
Não posso mais sair do Teatro;
Da bebedeira também não.
domingo, 22 de novembro de 2009
Menta e tabaco
Menta e tabaco.
Pelo primeiro, me orgulho;
pelo segundo, me mato.
Menta e tabaco.
Menta e tabaco.
Está escuro como um breu,
parece que caí em um buraco.
Menta e tabaco.
Mentabaco.
Que beijo é esse que me mordeu?
Morreu o sonho e ficou o fato.
Mentabaco.
Mentabaco:
fusão do quente, com o frio meu:
a sua essência no meu palato.
Mentabaco.
Menta-baco.
Perdi meu norte, que aconteceu?
Perdi minha roupa, sou puro tato:
Menta-baco.
Menta-baco.
Meu corpo forte, ali morreu,
meu devaneio, ficou no espaço.
Menta e tabaco.
Pelo primeiro, me orgulho;
pelo segundo, me mato.
Menta e tabaco.
Menta e tabaco.
Está escuro como um breu,
parece que caí em um buraco.
Menta e tabaco.
Mentabaco.
Que beijo é esse que me mordeu?
Morreu o sonho e ficou o fato.
Mentabaco.
Mentabaco:
fusão do quente, com o frio meu:
a sua essência no meu palato.
Mentabaco.
Menta-baco.
Perdi meu norte, que aconteceu?
Perdi minha roupa, sou puro tato:
Menta-baco.
Menta-baco.
Meu corpo forte, ali morreu,
meu devaneio, ficou no espaço.
Menta e tabaco.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Dores
Que há comigo?
Com essas roupas, com esses trapos
Sujos velhos, escrotos.
Contorcer-ser dói
Me aperto, estou preso! Amarrado, amordaçado
Que há comigo?
Essacordachegaadoer
Chegarasgar
Espremetudoquesinto
Assimtudorrasga
Gritosespremidosnascavernassemeco
Floresmortasporessesgritos
Meusseustodosnossas
dores
Com essas roupas, com esses trapos
Sujos velhos, escrotos.
Contorcer-ser dói
Me aperto, estou preso! Amarrado, amordaçado
Que há comigo?
Essacordachegaadoer
Chegarasgar
Espremetudoquesinto
Assimtudorrasga
Gritosespremidosnascavernassemeco
Floresmortasporessesgritos
Meusseustodosnossas
dores
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Meu último soneto
Não sei, muitas vezes pra onde olhar,
me perco nos detalhes mais sutis
das mais sutis indiferenças
que tem cheirinho de saudade
Recorre, a mim, a suprema nostalgia
da noite, das crianças, de tudo
Só quero desenhar mais uma vez,
com o giz de cera da cor preferida
Queria correr no pátio da escola
e brincar de verdade e consequência;
queria pular do teto e cair no chão
Porque criança tem sete vidas e não morre
Deveria não morrer, pelo menos
Ai, o que eu daria pra não ter mais estes dedos
me perco nos detalhes mais sutis
das mais sutis indiferenças
que tem cheirinho de saudade
Recorre, a mim, a suprema nostalgia
da noite, das crianças, de tudo
Só quero desenhar mais uma vez,
com o giz de cera da cor preferida
Queria correr no pátio da escola
e brincar de verdade e consequência;
queria pular do teto e cair no chão
Porque criança tem sete vidas e não morre
Deveria não morrer, pelo menos
Ai, o que eu daria pra não ter mais estes dedos
domingo, 15 de novembro de 2009
Esperando
O que tanto se espera?
A espera de milênios
Que adormecia
Uma princesa em um castelo.
A pressa é inimiga da perfeição
A espera é inimiga da vida
Dessa vida imperfeita
Nos moldes do céu e do chão
Enchi o meu copo, fui beber,
Mas tava vazio.
Tentei outra vez, bebi,
Mais rápido. Mas não deu.
Então, na seca, suando,
Sem saber se sorria
Ou se permanecia na espera
Perenei, sedento.
E nesse jejum insípido
Observando e esperando
Sentimos, eu e a espera,
Um vazio maior que a torcida do flamengo.
A espera de milênios
Que adormecia
Uma princesa em um castelo.
A pressa é inimiga da perfeição
A espera é inimiga da vida
Dessa vida imperfeita
Nos moldes do céu e do chão
Enchi o meu copo, fui beber,
Mas tava vazio.
Tentei outra vez, bebi,
Mais rápido. Mas não deu.
Então, na seca, suando,
Sem saber se sorria
Ou se permanecia na espera
Perenei, sedento.
E nesse jejum insípido
Observando e esperando
Sentimos, eu e a espera,
Um vazio maior que a torcida do flamengo.
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