ai, que saudade daquele cheiro de pó!
de maquiagem e de quinto andar!
que saudade de viver cada dia
de ser sido mais do que ser
sendo sem ser
ai, que dias vividos, adiados
o cheiro do figurino e do suor da gente!
do gel de cabelo! e das brincadeiras!
que vontade de fazer tudo de novo e mais de novo vezes
assim, somando tudo num mesmo saco
sentindo sentindo sendo e indo
ai, que vontade de dançar ciranda
de rodar, sorrindo mais que sendo
num círculo mais que infinito, além do mais
e vendo todo mundo lindo
ligados de mãos dadas e doando-se e se dando
ai, que saudade de se apaixonar todos os dias
amando todo mundo e seus mais cintilantes sorrisos
que dias vividos! e ver os rostos maquiados e lindos
que saudade de ser ator mais que tudo
que ser ator mais que eu
que saudade de teatro.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Luzes de natal
revirada
se navega pelas ruas do rio
nas santanas, nas ravinas
transviada
pela surdina danoitecimento
acontece a noite escurinha
- fast and freezing, female night
fetichando with your lights
luzinhas piscantes natalinas
pirilipando pequeninas nas passarelas
cinzas e (antes) sem-graça
das ruas altas tortuosas!
são as minhas estrelas
que me ensinam a remar sempre
sempre navegando
as ruas tortas do rio
piscadelas me chamando pra sua ruína!
como são lindas!
Armadilha ardilosa, agarra rindo
entre os braços do rio
Uma vez fiz da lagoa musa minha
achava que ali te tinha
meu templo escuro de opaca transparência!
viria a dia que ainda vinha
Wich of this littles lights
leaves to you, rio?
- a serraria carioca navegando!
lagoa escura, curva, linda.
E as luzes da cidade no natal
piscando
piscando
piscadelas me chamando pra sua ruína!
Se a astrologia dos seus olhinhos fosse clara
talvez te achasse antes
- wich? what for?
luzinhas piscantes são você
se navega pelas ruas do rio
nas santanas, nas ravinas
transviada
pela surdina danoitecimento
acontece a noite escurinha
- fast and freezing, female night
fetichando with your lights
luzinhas piscantes natalinas
pirilipando pequeninas nas passarelas
cinzas e (antes) sem-graça
das ruas altas tortuosas!
são as minhas estrelas
que me ensinam a remar sempre
sempre navegando
as ruas tortas do rio
piscadelas me chamando pra sua ruína!
como são lindas!
Armadilha ardilosa, agarra rindo
entre os braços do rio
Uma vez fiz da lagoa musa minha
achava que ali te tinha
meu templo escuro de opaca transparência!
viria a dia que ainda vinha
Wich of this littles lights
leaves to you, rio?
- a serraria carioca navegando!
lagoa escura, curva, linda.
E as luzes da cidade no natal
piscando
piscando
piscadelas me chamando pra sua ruína!
Se a astrologia dos seus olhinhos fosse clara
talvez te achasse antes
- wich? what for?
luzinhas piscantes são você
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Solução
"Se me chamasse Raimundo
Seria uma rima e não uma solução"
Nunca li nada que me disse alguma coisa mais
do que um único verso gauche
Abri a cabeça com um Machado
quase rimando com Riobaldo
Agora só salva um escrito bobo
sem mais nem menos
desse blog
Não,
isso não salva nem ama
isso não salva nem peca
do que um único verso gauche
Abri a cabeça com um Machado
quase rimando com Riobaldo
Agora só salva um escrito bobo
sem mais nem menos
desse blog
Não,
isso não salva nem ama
isso não salva nem peca
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Elevação de uma mangueira: em verde e rosa
mangueira
cano
canudo
tubo
tube
youtube
video
filmar
cinema
delícia
chocolate
café
cult
godard
genial
cachorro-quente
rua
lapa
malandragem
polícia
cacete
pau
.................................fêmea.................................mangueira
.................................curvas
.............................arquitetura
.................................espaço
................estrela........................ lugar
...............planeta.........................praia
................vênus.........................búzios
...............afrodite......................maresia
...............sensual..........................mar
................teatro.........................dorival
................amor.........................ciranda
............namorado.......................roda
................afago...........................união
............presente.......................ecologia
................flores.........................verde
.................rosa
cano
canudo
tubo
tube
youtube
video
filmar
cinema
delícia
chocolate
café
cult
godard
genial
cachorro-quente
rua
lapa
malandragem
polícia
cacete
pau
..................................pênis...................................madeira
.................................macho....................................árvore.................................fêmea.................................mangueira
.................................curvas
.............................arquitetura
................estrela........................ lugar
...............planeta.........................praia
................vênus.........................búzios
...............afrodite......................maresia
...............sensual..........................mar
................teatro.........................dorival
................amor.........................ciranda
............namorado.......................roda
................afago...........................união
............presente.......................ecologia
................flores.........................verde
.................rosa
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Quando eu não acordo
Hoje o dia acordou com cheiro de velho
Mas pode ser eu que não tomei banho ainda
Entre alfazema e channel
Existe desejo
(prefiro ser feito da pele que vejo
E de cardioolhos)
Eu assisti a brisa dançando no teu sorriso
Dançando o teu sorriso
Era uma ciranda cigana antiga
Guardada à naftalina
(as crianças nunca morrem
Se andarem com o nariz na frente de tudo)
O silêncio perdeu o mapa
Pra Santiago
Mas achou o dia acordando
E o cheirou, e o cheirou
E no cheiro achou um canto
Mas pode ser eu que não tomei banho ainda
Entre alfazema e channel
Existe desejo
(prefiro ser feito da pele que vejo
E de cardioolhos)
Eu assisti a brisa dançando no teu sorriso
Dançando o teu sorriso
Era uma ciranda cigana antiga
Guardada à naftalina
(as crianças nunca morrem
Se andarem com o nariz na frente de tudo)
O silêncio perdeu o mapa
Pra Santiago
Mas achou o dia acordando
E o cheirou, e o cheirou
E no cheiro achou um canto
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O Nunca
quando que eu nunca vou descobrir
que esse negócio nos olhos
que chamam distância
e que arrepia os pêlos
não tem colírio
que não o colibri
que a rede das nossas pestanas
em acordes desarmônicos da saudade
não fisgam passarinho ou borboleta
são só o leito da varanda
que faz a cama
mas não forra os olhos
Então quando os fecho
e vejo perfeitamente nada
desperfeitamos o escuro
para se ver
e dessa desvisão
acabou o tempo.
que esse negócio nos olhos
que chamam distância
e que arrepia os pêlos
não tem colírio
que não o colibri
que a rede das nossas pestanas
em acordes desarmônicos da saudade
não fisgam passarinho ou borboleta
são só o leito da varanda
que faz a cama
mas não forra os olhos
Então quando os fecho
e vejo perfeitamente nada
desperfeitamos o escuro
para se ver
e dessa desvisão
acabou o tempo.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Poemeto Nordestino
Fui batizado de lonjuras
esse cisco arteiro do olho
que vai pro cabelo e gera piolho
o palhaço, que traz no rosto um novelo
sou eu com mais abotoaduras
e a máscara, lavada de lágrimas, virando um molho
é o começo das lonjuras que falei no começo
do gesto de passaredo, não me esqueço
os novelos do meu rosto, num enredo
enredam minha postura
e, qual planta que não conheço
faço do céu meu credo
desenraizo da terra dura
e adoentado de asas padeço
esse cisco arteiro do olho
que vai pro cabelo e gera piolho
o palhaço, que traz no rosto um novelo
sou eu com mais abotoaduras
e a máscara, lavada de lágrimas, virando um molho
é o começo das lonjuras que falei no começo
do gesto de passaredo, não me esqueço
os novelos do meu rosto, num enredo
enredam minha postura
e, qual planta que não conheço
faço do céu meu credo
desenraizo da terra dura
e adoentado de asas padeço
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