1. Entreouve-se no silêncio, ou eu imagino. E, como de praxe, hesita-se, evita-se, ainda que haja toque, disfarça-se, demora-se, pior, atrasa-se demasiado, perde-se, enfim. Não há causa ou efeito, apenas pena - enorme pena infundada enfiada afiada, faca, foie gras, assim, violento e deliciosamente perverso, terrível, incurável, como a necessidade de cagar.
E por isso eu sempre retorno. Vê? não tem causa, qualquer motivo que seja: é a simbiose do soco e da borboleta.
2.
flashback: Convidei-a pra assistir uma peça, ao que ela aceitou de pronto e, portanto, ericei-me acreditando-me sortudo e venturoso etc, normal. Equivoquei-me. Novamente normal.
3. Obrigatório mudar de marcha, alguma coisa errada nesse fluxo infernal de gases e confetes e surras e foliões e ruas e beijos e risos e alegria e então maravilhosamente a chuva e escuto novamente no silêncio essa loucura: paradoxo de amor. Comecei a chorar, que é como eu somatizo dúvida, é assim: fraqueza, tremeliques, silêncios longos. E você sendo vento fende lenta quente o largo. Como você molhada. Poderia mesmo dizer imunda.
4. Agora a paz é tanta que desaprendi o que é amar e cago todos os dias pontualmente. (Acuda)
5.
6.
quarta-feira, 4 de março de 2015
domingo, 25 de janeiro de 2015
ensaios de carnaval
Tudo quer olhar você
E você vira o rosto
sorrindo
Sendo lindo maculelê
bailarina do oposto
sorrindo
E de lá sem te ver
Tudo teima desgosto
sorrindo
Outra volta volver
Seu sorriso é fosco
sorrindo
E você vira o rosto
sorrindo
Sendo lindo maculelê
bailarina do oposto
sorrindo
E de lá sem te ver
Tudo teima desgosto
sorrindo
Outra volta volver
Seu sorriso é fosco
sorrindo
domingo, 28 de setembro de 2014
yet not right there yet
há uma queda infinita depois daquela esquina
e se você não mordesse os lábios antes de mentir
eu teria caído atraído traído marido árido e ferido
acordar é sempre perder o mundo querido
como aquela esquina que esconde um buraco eterno
colado na sua testa não importa o quanto você ainda caia
antes de dormir a gente discute sobre nossas roupas
quando já não estamos enxergando bem de sono
eu já quase dormi e dormindo peço que você saia
acordado quero mil coisas que não alcanço
talvez porque podem ser contrários e autodestrutivos
como o gesto automático de dobrar esquinas
dormido fico repetindo o seu nome escrito num papel no bolso
e você aparece fixa como as fotos como memória
e não faz nada e sem nada fazer é simplesmente tudo
sem metáforas meias palavras sem roupas
nessa esquina você sussurra já bem próxima
você não fala não há som nem voz cor zero
eu sei o que você fala porque seus lábios estão colados nos meus
sussurro da pele como a lesma conversa com a pedra
e eu assinto sem entender nada de nada de nada
e se você não mordesse os lábios antes de mentir
eu teria caído atraído traído marido árido e ferido
acordar é sempre perder o mundo querido
como aquela esquina que esconde um buraco eterno
colado na sua testa não importa o quanto você ainda caia
antes de dormir a gente discute sobre nossas roupas
quando já não estamos enxergando bem de sono
eu já quase dormi e dormindo peço que você saia
acordado quero mil coisas que não alcanço
talvez porque podem ser contrários e autodestrutivos
como o gesto automático de dobrar esquinas
dormido fico repetindo o seu nome escrito num papel no bolso
e você aparece fixa como as fotos como memória
e não faz nada e sem nada fazer é simplesmente tudo
sem metáforas meias palavras sem roupas
nessa esquina você sussurra já bem próxima
você não fala não há som nem voz cor zero
eu sei o que você fala porque seus lábios estão colados nos meus
sussurro da pele como a lesma conversa com a pedra
e eu assinto sem entender nada de nada de nada
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
inspiração
Não dá pra fingir seja isso que insistem em negar; mas deseja. Deseja ser. E fica calado, de cara feia no canto querendo muito ser tantas maravilhosas possibilidades, não exatamente desgostoso do que é ou possa ser, não que seja também apenas uma singularidade, claro que não, mas a brisa de praia morna no dia de sol, quando você não espera que possa fazer tempo bom numa cidade tão merda, isso sim é algo não pensado, e daí novas teias de aranha, como as janelas de um arranha-céu, se abrem no espaço recolhido da mente, naqueles sei lá quantos porcento de cabeça nunca usados integralmente, germinam nos brônquios e alvéolos sombrios dos cantos do pulmão, viciados no gás carbônico de dezenas de anos - uma inspiração.
Pois nas profundezas de ser alguma baleia rasteja na lama submarina ou sobe enorme, majestosa, enorme para sorver aquela brisa fresca, fria e boa, num dia de sol, magnânima, de verme esponja dispersa como fumaça argentina, como tinta óleo apagando infinita no oceano, como uma molécula de álcool que se procura nos mares do mundo, até ser céu, astronômica, as ondas paredes d'água fria, a realeza baleia monstro assopra e inspira - tudo.
E linda submarino vivo lentamente regressa ao abismo, imigrantes na goela.
Aqui é o céu sagrado de estrelas de sóis e luas de toda constelação ou nuvem, aqui, nesse canto de paredes fechadas, na casa sem nascer do sol, aqui, onde meu coração para pra escutar os pulmões do cérebro chorarem e cada ponta, cada canto, cada ser se repete se reflete se repele como notas jogadas no universo, as vezes som, outras sentido - me beija astronauta.
E linda submarino vivo lentamente regressa ao abismo, imigrantes na goela.
Pois nas profundezas de ser alguma baleia rasteja na lama submarina ou sobe enorme, majestosa, enorme para sorver aquela brisa fresca, fria e boa, num dia de sol, magnânima, de verme esponja dispersa como fumaça argentina, como tinta óleo apagando infinita no oceano, como uma molécula de álcool que se procura nos mares do mundo, até ser céu, astronômica, as ondas paredes d'água fria, a realeza baleia monstro assopra e inspira - tudo.
E linda submarino vivo lentamente regressa ao abismo, imigrantes na goela.
Aqui é o céu sagrado de estrelas de sóis e luas de toda constelação ou nuvem, aqui, nesse canto de paredes fechadas, na casa sem nascer do sol, aqui, onde meu coração para pra escutar os pulmões do cérebro chorarem e cada ponta, cada canto, cada ser se repete se reflete se repele como notas jogadas no universo, as vezes som, outras sentido - me beija astronauta.
E linda submarino vivo lentamente regressa ao abismo, imigrantes na goela.
sábado, 5 de julho de 2014
seguinte
A bruta ideia sobreviver acorda toda cagada.
Sua. E, no parágrafo seguinte, é menos abstrata.
Seguinte: caminha pelas ruas todos os dias, bicho doméstico, frases convenientes, aquele papo todo, aquela história toda, insônia e tudo mais, música triste a vera, ironia, a lente da desdistorção, sabe?, esse sentimento arrogante (talvez) de presença mais elaborada, menos alienada, menos servil a um certo corpo sem-órgãos (vomitando tudo, ligou o foda-se legal), menos inconsciente das inconsciências possíveis, mas.
Seguinte: ajuda. Socorro. Socorro.
Seguinte: a terra vai girar em volta do sol muitas vezes ainda, e em cima dela o que? Precisa. Não dá, não é possível evitar a convulsão, o mijo cheio de sangue, coisa demais vazando, energia pra onde não deve, e de menos pra onde deveria, exaustão, desespero antes de dormir, de gritar, de berrar de horror pro escuro, pro medo da porra de. Overdose. Sobrecarga.
Seguinte: caminha pelas ruas de olhos abertos e atentos e procurando o que? Mesmo que não saiba, a busca é mais importante que o. Quê?
Seguinte: sim e não, tudo em círculos dentro do cérebro, uma festa inteira armada, luzes piscando, roupa linda, charmosa, elegante, e vazia - festa vazia, sem ninguém mesmo, bebe até esquecer, até sozinho habitar com tudo que uma festa tão bonita tem direito. A festa segue por um tempo, acredita que tudo bem, é assim que são as festas, uma hora alguém vai chegar. De duas, uma: alguém de fato chega, tipo muito atrasado, mas chega, veio, beleza, a festa vai começar pra valer agora, irado. Daí bifurca outra vez: a pessoa é foda, arrebenta, dança até o chão, caí dentro, trouxe coisas, acrescenta, a festa pode ser só isso; daí bifurca outra vez: pode ser maneiro isso ou não; ou quem chega finalmente tá fedendo, a roupa dele(a) é feia, estraga todo o clima das luzes, das músicas, do funk, não trouxe porra nenhuma e vai direto nas paradas caras, detona a porra toda, filho-da-puta, tava melhor sem ninguém, festa escrota da porra, que merda, caralho. Ou, de fato não vem ninguém, festa solitária. Segue.
Seguinte: quê?
Seguinte: ouvindo música enquanto conversa com alguém que adora no chat online do computador, a sua música diz sobre, capricha na escolha, funciona, ele(a) começa a adorar de volta, talvez, ou é só impressão, dúvida escrota, quem não queria não ter essa dúvida, hein galera? a dúvida tosca de insegurança amorosa que povoa toda a humanidade, tadinha. Caprichosa escolha de música swingada & romântica & descolada. Dúvida elementar do ser: sou legal? Segue.
Seguinte: abre a braguilha e sente o púbis alheio que romanticamente se deixa ser apalpado pela mão que lhe abre a braguilha das calças, pêlos cuidados, e o carro tem vidro fumê, sei lá como se chama essa porra, é vidro escuro, privacidade garantida, as poltronas foram puxadas pra trás, abriu-se um espaço algum pra isso, por enquanto é só a mão que abriu a braguilha e escorregou pelas roupas íntimas anteriormente escolhidas pelo dono(a), a mão acarinhou o tecido, deu meia-volta, mergulhou na superfície da pele coberta dos pêlos cuidados - péra! - não, volta, era outro tecido, mais fino, se enganou, ainda não é a pele, inesperada superfície nova por baixo da roupa íntima pré-escolhida, círculos com o dedo ali como quem diz, tá tudo sobre controle, e mergulha novamente para a lânguida superfície da pele, a epiderme rosa, não, outra roupa ainda, desce mais, mas tem outra merda de paninho, seda ou o caralho que for, que porra, mais um: ad infinitum.
Seguinte: programadores de informática comem lanches de fast-food dentro da sua limusine. Todo mundo sabe disso. Eles moram nelas. E fazem tudo ali. Cocô. Xixi. Tudo. Eles hackeiam sites de grandes corporações multinacionais que invadem países subdesenvolvidos fodidos e vendem canudos feitos de nicotina para a super-valorizada merenda das escolas públicas criando uma geração inteira de viciados. São os caras das limusines que nos salvam quando denunciam esses filhos-da-puta estupradores e eles não pedem nada em troca. São anjos, eles. Segue.
Seguinte: não adianta mais escrever, isso não salva, não. Qual história poderia contar, a da família de peludos, todos cobertos de pêlo, completamente, no rosto, nos membros, tanto os homens quanto as mulheres, cheios de pêlos e eles andam de quatro, a da pista de dança onde uma criança cai deslizando de joelhos no chão como um astro do rock ou um jogador de futebol depois de um gol antes dele ser anulado pelo banderinha (gay, sempre gay, certeza disso), e ela acha aquilo o máximo e desliza, sem sacar que as tábuas estão velhas e levanta ainda sorrindo e demora alguns segundos pra sacar que ralou completamente os joelhos e está escorrendo sangue por debaixo dos seus shorts até seus pés e aí ela vê e começa a chorar, caralho, fodi meus joelhos! ou qualquer outra coisa, não adianta. O que pode mais acontecer?
Seguinte: a música que ouvia não tinha nada a ver com alguém outro(a). Não, é sua. Tá sozinho, olha o horizonte, a cidade sifilítica ali embaixo lâmpadas acesas & sinais de trânsito & fosco reflexo de asfalto molhado, não tem tristeza maior que esse olhar que é realmente solitário, incompartilhável, pensa, e olha, permanece olhando, pra ver. Não vê. Não muda. Nada muda.
Seguinte: se contamina de qualquer tentativa, ainda que fraca, vã, tosca, ou ingênua, ou febril, ou adolescente, ou super sério, ou super intelectual, ou demais fechada, ou demais alegre, ou o que for, sendo mesmo o que tenta ser o que quer que isso seja, mas não, simplesmente não, quanto mais sim, mais não, e não o contrário, o não vem antes da frase terminar, simplesmente não, não, não adianta. E daí talvez não mesmo, ser isso, ser esse não, será?, o que seria isso?, mas antes de, não, também não.
Seguinte: caminha e olha e percebe e chora e ri e atenção e, querido(a), estou aqui falando super tudo isso aí, mesmo, totalmente, realmente, mesmo, e vem cá que eu te dou um chamego gostoso.
Sua. E, no parágrafo seguinte, é menos abstrata.
Seguinte: caminha pelas ruas todos os dias, bicho doméstico, frases convenientes, aquele papo todo, aquela história toda, insônia e tudo mais, música triste a vera, ironia, a lente da desdistorção, sabe?, esse sentimento arrogante (talvez) de presença mais elaborada, menos alienada, menos servil a um certo corpo sem-órgãos (vomitando tudo, ligou o foda-se legal), menos inconsciente das inconsciências possíveis, mas.
Seguinte: ajuda. Socorro. Socorro.
Seguinte: a terra vai girar em volta do sol muitas vezes ainda, e em cima dela o que? Precisa. Não dá, não é possível evitar a convulsão, o mijo cheio de sangue, coisa demais vazando, energia pra onde não deve, e de menos pra onde deveria, exaustão, desespero antes de dormir, de gritar, de berrar de horror pro escuro, pro medo da porra de. Overdose. Sobrecarga.
Seguinte: caminha pelas ruas de olhos abertos e atentos e procurando o que? Mesmo que não saiba, a busca é mais importante que o. Quê?
Seguinte: sim e não, tudo em círculos dentro do cérebro, uma festa inteira armada, luzes piscando, roupa linda, charmosa, elegante, e vazia - festa vazia, sem ninguém mesmo, bebe até esquecer, até sozinho habitar com tudo que uma festa tão bonita tem direito. A festa segue por um tempo, acredita que tudo bem, é assim que são as festas, uma hora alguém vai chegar. De duas, uma: alguém de fato chega, tipo muito atrasado, mas chega, veio, beleza, a festa vai começar pra valer agora, irado. Daí bifurca outra vez: a pessoa é foda, arrebenta, dança até o chão, caí dentro, trouxe coisas, acrescenta, a festa pode ser só isso; daí bifurca outra vez: pode ser maneiro isso ou não; ou quem chega finalmente tá fedendo, a roupa dele(a) é feia, estraga todo o clima das luzes, das músicas, do funk, não trouxe porra nenhuma e vai direto nas paradas caras, detona a porra toda, filho-da-puta, tava melhor sem ninguém, festa escrota da porra, que merda, caralho. Ou, de fato não vem ninguém, festa solitária. Segue.
Seguinte: quê?
Seguinte: ouvindo música enquanto conversa com alguém que adora no chat online do computador, a sua música diz sobre, capricha na escolha, funciona, ele(a) começa a adorar de volta, talvez, ou é só impressão, dúvida escrota, quem não queria não ter essa dúvida, hein galera? a dúvida tosca de insegurança amorosa que povoa toda a humanidade, tadinha. Caprichosa escolha de música swingada & romântica & descolada. Dúvida elementar do ser: sou legal? Segue.
Seguinte: abre a braguilha e sente o púbis alheio que romanticamente se deixa ser apalpado pela mão que lhe abre a braguilha das calças, pêlos cuidados, e o carro tem vidro fumê, sei lá como se chama essa porra, é vidro escuro, privacidade garantida, as poltronas foram puxadas pra trás, abriu-se um espaço algum pra isso, por enquanto é só a mão que abriu a braguilha e escorregou pelas roupas íntimas anteriormente escolhidas pelo dono(a), a mão acarinhou o tecido, deu meia-volta, mergulhou na superfície da pele coberta dos pêlos cuidados - péra! - não, volta, era outro tecido, mais fino, se enganou, ainda não é a pele, inesperada superfície nova por baixo da roupa íntima pré-escolhida, círculos com o dedo ali como quem diz, tá tudo sobre controle, e mergulha novamente para a lânguida superfície da pele, a epiderme rosa, não, outra roupa ainda, desce mais, mas tem outra merda de paninho, seda ou o caralho que for, que porra, mais um: ad infinitum.
Seguinte: programadores de informática comem lanches de fast-food dentro da sua limusine. Todo mundo sabe disso. Eles moram nelas. E fazem tudo ali. Cocô. Xixi. Tudo. Eles hackeiam sites de grandes corporações multinacionais que invadem países subdesenvolvidos fodidos e vendem canudos feitos de nicotina para a super-valorizada merenda das escolas públicas criando uma geração inteira de viciados. São os caras das limusines que nos salvam quando denunciam esses filhos-da-puta estupradores e eles não pedem nada em troca. São anjos, eles. Segue.
Seguinte: não adianta mais escrever, isso não salva, não. Qual história poderia contar, a da família de peludos, todos cobertos de pêlo, completamente, no rosto, nos membros, tanto os homens quanto as mulheres, cheios de pêlos e eles andam de quatro, a da pista de dança onde uma criança cai deslizando de joelhos no chão como um astro do rock ou um jogador de futebol depois de um gol antes dele ser anulado pelo banderinha (gay, sempre gay, certeza disso), e ela acha aquilo o máximo e desliza, sem sacar que as tábuas estão velhas e levanta ainda sorrindo e demora alguns segundos pra sacar que ralou completamente os joelhos e está escorrendo sangue por debaixo dos seus shorts até seus pés e aí ela vê e começa a chorar, caralho, fodi meus joelhos! ou qualquer outra coisa, não adianta. O que pode mais acontecer?
Seguinte: a música que ouvia não tinha nada a ver com alguém outro(a). Não, é sua. Tá sozinho, olha o horizonte, a cidade sifilítica ali embaixo lâmpadas acesas & sinais de trânsito & fosco reflexo de asfalto molhado, não tem tristeza maior que esse olhar que é realmente solitário, incompartilhável, pensa, e olha, permanece olhando, pra ver. Não vê. Não muda. Nada muda.
Seguinte: se contamina de qualquer tentativa, ainda que fraca, vã, tosca, ou ingênua, ou febril, ou adolescente, ou super sério, ou super intelectual, ou demais fechada, ou demais alegre, ou o que for, sendo mesmo o que tenta ser o que quer que isso seja, mas não, simplesmente não, quanto mais sim, mais não, e não o contrário, o não vem antes da frase terminar, simplesmente não, não, não adianta. E daí talvez não mesmo, ser isso, ser esse não, será?, o que seria isso?, mas antes de, não, também não.
Seguinte: caminha e olha e percebe e chora e ri e atenção e, querido(a), estou aqui falando super tudo isso aí, mesmo, totalmente, realmente, mesmo, e vem cá que eu te dou um chamego gostoso.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
admita
admite, você tem um grande medo de ser burro
medo grande, cresce em segredo
(ou quase segredo), esse medo grande, ferro
e você esconde, mas ele permanece
e desfaz seu sono, fazendo birra, berro
burro
admite, você não consegue acordar certo
acordar acorda, levanta desperto
(ou quase desperto), esse sono polposo, seiva
e você levanta, mas ele te amortece
e refaz seu sono, fazendo nina, noite
certo
admite, você parece muito um tatu
monstro tatu, gordo e secreto
(ou quase secreto), essa casca articulada, casa
e você descola, mas ela rola e fecha
e retrai seu corpo, fazendo costa, cu
tatu
admite, vamos, você não presta pra nada
nada presta, aresta modesta
(ou quase modesta), essa vida de trás pra frente
e você gira, retorna, mas o rio te vira
e trai seu senso, fazendo tudo, cada
nada
medo grande, cresce em segredo
(ou quase segredo), esse medo grande, ferro
e você esconde, mas ele permanece
e desfaz seu sono, fazendo birra, berro
burro
admite, você não consegue acordar certo
acordar acorda, levanta desperto
(ou quase desperto), esse sono polposo, seiva
e você levanta, mas ele te amortece
e refaz seu sono, fazendo nina, noite
certo
admite, você parece muito um tatu
monstro tatu, gordo e secreto
(ou quase secreto), essa casca articulada, casa
e você descola, mas ela rola e fecha
e retrai seu corpo, fazendo costa, cu
tatu
admite, vamos, você não presta pra nada
nada presta, aresta modesta
(ou quase modesta), essa vida de trás pra frente
e você gira, retorna, mas o rio te vira
e trai seu senso, fazendo tudo, cada
nada
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Valparaíso
Valparaíso em chama
e as gaivotas se desequilibram
e os mortos fazem coro, o cemitério ecoa música subterrânea
e as fotografias se revelam em pleno ar, o mundo é ele mesmo fotografia, não se diz mais fotografia porque é tudo que é
Valparaíso me chama
para um banho gelado pacífico
para velórios carregados de choro, o ar mais úmido de tanto choro
para autoestradas alucinantes que vão sem saídas até a califórnia, transpacífica, um turbilhão de vento e planaltos
Hoje em dia tudo é hoje
hoje hoje, hoje amanhã, hoje semana inteira
Falta tempo
de uma vez
As pessoas são mundos
...que preguiça
não gosto nem do meu mundo
que dirá desses tantos
Alguma coisa segue seu curso
só me resta escrever
sobre a chuva de ar-condicionado
sobre a pasta chorume grossa nas sarjetas durante o carnaval
As datas se acumulam
tudo é hoje - falta tempo
...que preguiça, só me resta escrever
de uma vez
Valparaíso me chama
e eu não entendo o que mais poderia fazer
do que subir o morro, cada degrau gasto, poesia por poesia
e vislumbrar o mar, eterno;
cada lembrança presente boiando
cada um que matei
o entre céu e inferno
gaivotas sem norte sossobram
e as vinhas incendiadas derramam o último vinho,
o velório de todo eu
e as gaivotas se desequilibram
e os mortos fazem coro, o cemitério ecoa música subterrânea
e as fotografias se revelam em pleno ar, o mundo é ele mesmo fotografia, não se diz mais fotografia porque é tudo que é
Valparaíso me chama
para um banho gelado pacífico
para velórios carregados de choro, o ar mais úmido de tanto choro
para autoestradas alucinantes que vão sem saídas até a califórnia, transpacífica, um turbilhão de vento e planaltos
Hoje em dia tudo é hoje
hoje hoje, hoje amanhã, hoje semana inteira
Falta tempo
de uma vez
As pessoas são mundos
...que preguiça
não gosto nem do meu mundo
que dirá desses tantos
Alguma coisa segue seu curso
só me resta escrever
sobre a chuva de ar-condicionado
sobre a pasta chorume grossa nas sarjetas durante o carnaval
As datas se acumulam
tudo é hoje - falta tempo
...que preguiça, só me resta escrever
de uma vez
Valparaíso me chama
e eu não entendo o que mais poderia fazer
do que subir o morro, cada degrau gasto, poesia por poesia
e vislumbrar o mar, eterno;
cada lembrança presente boiando
cada um que matei
o entre céu e inferno
gaivotas sem norte sossobram
e as vinhas incendiadas derramam o último vinho,
o velório de todo eu
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